Capítulo 13
Capítulo 13
Lee-yeon estava parada no canto do quarto, lançando olhares frequentes para o homem que estava sendo examinado. Seu coração martelava dentro do peito. Ela sentia uma ansiedade avassaladora. Seus dedos puxavam as mangas do suéter. Ela roía as unhas.
Nada ajudava a acalmá-la.
Como isso pode estar acontecendo? Como?!
Enterrou o rosto nas mãos. Seu corpo inteiro tremia, talvez por causa do pulso acelerado ou das preocupações que giravam em sua mente.
— Ainda é muito cedo para tirar conclusões. — A voz do médico cortou seus pensamentos. — Precisamos de mais dados sobre o sono do paciente para entender o padrão. Ele pode muito bem cair em um sono profundo a partir de amanhã. Vamos ter que esperar para ver.
Hoje, Kwon Chae-woo havia acordado… normalmente. O homem que já dormira por três, cinco e até doze dias seguidos de repente acordara como se nada tivesse acontecido. Para Lee-yeon, isso foi um choque. Um golpe pelas costas!
— O cérebro dele não apresenta nenhuma anormalidade. — O médico continuou. — Há uma grande chance de que a condição seja de origem psicológica. Às vezes, uma mudança no ambiente pode provocar alterações. Uma casa pode parecer diferente de um hospital, e isso pode ter causado alguma mudança nele. No momento, o mais importante é descobrir o que define seu padrão de sono.
Enquanto o médico explicava, Kwon Chae-woo olhou para Lee-yeon.
— Só tem uma coisa que me vem à cabeça — disse ele, passando o polegar pelo lábio inferior.
— E o que seria? — perguntou o médico, rabiscando algo em sua prancheta.
— Eu dormi com minha esposa ontem.
O silêncio na sala foi absoluto. Lee-yeon sentiu o sangue sumir do rosto. O médico piscou algumas vezes, alternando o olhar entre os dois. Então, pigarreou e assentiu.
— Está me dizendo que vocês fizeram amor?
— Não! — Lee-yeon quase gritou. — Nós só dormimos na mesma cama! Nada além disso!
O médico deu um aceno compreensivo.
— Nesse caso, vamos tentar continuar com isso por enquanto. Pode ser útil observar como isso afeta o padrão de sono do paciente.
O rosto de Lee-yeon escureceu na mesma hora.
Enquanto Kwon Chae-woo estava no hospital para a fisioterapia, Lee-yeon deitou-se no sofá, exausta, assistindo ao noticiário.
『 O golpe do phishing de voz está se tornando mais elaborado. 』
A manchete piscava na tela, mas sua mente estava um caos.
Se a condição de Kwon Chae-woo melhorasse, ela não conseguiria mais escondê-lo.
Se ele fosse até o primeiro andar, seria apenas questão de tempo até que Choo-ja descobrisse sobre ele. E se Choo-ja descobrisse…
“Se esse contrato vazar, considerarei isso uma quebra de acordo e assumirei que houve outro cúmplice.”
A ameaça de Kwon Chae-woo em acusá-la de assassinato poderia afetar Choo-ja também. Ela só tinha duas opções: convencê-lo a enganar Choo-ja ou contar tudo para sua amiga.
A voz do repórter parecia distante em meio a seus pensamentos.
『— Assim como nesta gravação, os fraudadores ameaçam a vítima e impedem que desliguem o telefone, dizendo: “Se desligar, consideraremos uma fuga.” Essa é uma técnica usada para isolar a vítima psicologicamente e impedir que busquem ajuda.』
Na noite do incidente, Lee-yeon ficou presa ao telefone com o irmão de Kwon Chae-woo da noite até o amanhecer. Ela estava vulnerável. Não tinha ninguém para pedir conselhos a deixou ainda mais passiva. Sob pressão e ameaças, Lee-yeon assinou aquele contrato de forma impulsiva, apenas para escapar da situação.
『Recentemente, a forma como eles isolam psicologicamente as vítimas…』
Seus olhos continuaram grudados na TV. O sangue gelou em suas veias, suas mãos tremiam. Apertou o travesseiro contra o peito, tentando acalmar-se. Abaixou o corpo, abraçando os joelhos. Desde que Kwon Chae-woo acordou, ela não conseguia dormir direito há quase um mês. Mas, para ser sincera, sua vida começou a desmoronar um pouco antes disso.
A voz do repórter foi ficando mais fraca, distante, como um eco em sua mente. Então, uma ideia surgiu. Ela finalmente encontrou um jeito de acabar com essa angústia.
Pegou o celular e discou um número.
Trim. Trim.
O bipe soou na linha. De repente, lágrimas encheram seus olhos. Todo o medo e a tensão que ela havia suportado sozinha por dois anos começaram a transbordar.
Era a hora.
— Por que você está me ligando no fim de semana? — A voz do outro lado da linha soou.
— Choo-ja… eu… — A voz de Lee-yeon tremeu.
— O que foi? Você tá bêbada?
— Eu não sei o que fazer! Um homem em estado vegetativo vai trabalhar no hospital!
“Homem vegetativo? Ela tá usando drogas?” Choo-ja pensou.
A história de Lee-yeon jorrou como uma confissão. Ela falou sem parar. No início, tudo parecia uma bagunça sem sentido. Mas algo na voz da amiga fez Choo-ja largar tudo e correr até o hospital. Ao ver o estado de Lee-yeon, ela parou no meio do caminho. Olhos vermelhos, nariz inchado, lábios inchados. Uma pilha de lenços sujos ao lado do sofá.
“Tá, calma… vamos entender isso.”
Ela presenciou um assassinato. Foi perseguida pelo assassino. Ele sofreu um acidente e ficou em estado vegetativo. E então… ela o trouxe para o hospital.
Choo-ja se abaixou e olhou embaixo do sofá, procurando garrafas de álcool.
— Choo-ja…
Nada. Nem sinal de bebida. Ver Lee-yeon chorando desse jeito a deixou inquieta.
“O que aconteceu com ela?”
— Por que você não chamou a polícia?! — Choo-ja exclamou, incrédula.
— Eu não tinha escolha!
— Eu nunca ouvi uma história tão absurda na minha vida! Eu já sabia que você era burra desde que um dia vi uma garotinha falida gastando dinheiro com fertilizante pra uma montanha! Mas agora você me diz que pegou um homem vegetativo e o trouxe para cá?! Isso é incrível!
— Por que você só me contou isso agora?!
— Porque…
O coração de Choo-ja apertou ao ver Lee-yeon hesitando. Mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tudo que enfrentaram juntas, ela ainda não conseguia se abrir completamente. A única coisa para a qual Lee-yeon realmente se abria…
…eram as plantas que ela amava tanto.
Ela cresceu como uma garotinha solitária. E, por mais adulta que parecesse por fora, no fundo, essa garotinha ainda estava lá. A raiva de Choo-ja sumiu. Ela suspirou e se sentou ao lado da amiga.
— Então… você estava escondendo um homem todo esse tempo…
— Um homem vegetativo — corrigiu Lee-yeon, enxugando as lágrimas.
— Certo… e como eu posso ajudar?
Lee-yeon engoliu em seco.
— Choo-ja…
Ela parecia prestes a chorar de novo. Choo-ja suspirou e deu uns tapinhas desajeitados nas costas dela.
— Não precisa me agradecer.
— Tá… mas, antes de qualquer coisa, eu preciso te contar uma coisa. Eu menti para ele e disse que era sua esposa.